É comum observar-se momentos de contração financeira depois de períodos de crescimento económico. O que não é muito habitual é assistir a momentos como o da estagflação.

O termo estagflação é uma combinação das palavras estagnação e inflação.

De forma sucinta, dá-se a estagnação quando o produto nacional não cresce de acordo com o potencial económico do país. Por sua vez, a inflação consiste numa subida generalizada e sustentada dos preços dos bens e serviços consumidos pelas famílias, sendo esse aumento continuado ao longo do tempo.

Posto isto, falamos em estagflação quando estamos perante um período em que a atividade económica regista um crescimento fraco, nulo, ou até mesmo negativo, ao mesmo tempo que os preços aumentam a um ritmo muito superior ao normal e que ocorre uma subida do desemprego.

 

Assim sendo, para haver estagflação é preciso que, num mesmo período, haja uma combinação destes três fatores:

  • inflação elevada
  • estagnação ou até mesmo recessão económica
  • aumento acentuado do desemprego

 

Este é um cenário raro porque combina fenómenos que, normalmente, acontecem em momentos diferentes dos ciclos económicos, podendo ter origem em eventos internos ou externos difíceis de prever. Quando falamos em eventos externos referimo-nos por exemplo a pandemias ou conflitos internacionais, como é o caso do conflito ainda em curso entre a Rússia e a Ucrânia, situação na qual é possível verificar um aumento abrupto dos preços do trigo, petróleo e gás natural, atingindo assim economias de diversos países.

 

De que forma a estagflação pode afetar a sociedade?

Um cenário de estagflação corresponde a uma crise económica com graves consequências no mercado de trabalho e um aumento significativo dos níveis de pobreza.

Perda de poder de compra

Este é o efeito que afeta de uma forma mais direta as famílias. Num cenário ideal, a subida acentuada de preços e, consequentemente, o aumento das despesas mensais, deveriam ser acompanhados pelas melhorias salariais. O que acaba por não se verificar tendo em conta a situação de estagnação económica.

Aumento da pobreza

O aumento da pobreza e o agravamento das desigualdades sociais são características habituais desta fase. A estagflação embora penalize todas as classes sociais, atinge mais facilmente quem já vive em situações de carência, sobretudo se a inflação incidir nos bens de primeira necessidade.

Aumento do desemprego

O desemprego é um dos componentes da estagflação que se manifesta mais tardiamente. A fraca atividade económica atinge também as empresas, que ao enfrentarem períodos de inflação e estagnação, muitas vezes não tem outra solução a não ser despedir trabalhadores. Por consequência, surge o risco elevado de falência das empresas.

 

O que fazer num cenário de estagflação?

Reforçar a poupança

Os hábitos de poupança devem ser uma regra, seja qual for o período económico no qual nos encontramos. No entanto, num período económico mais frágil a atenção tem que ser redobrada, sendo importante reforçar as rotinas de poupança.

Rever e disciplinar o orçamento

Com o aumento do custo de vida, é necessário reduzir as despesas. É importante que analise o seu orçamento para que seja possível perceber onde pode cortar, que investimentos pode fazer, como pode poupar ou como evitar gastos ou custos desnecessários.

Amortizar dívidas

Um dos mecanismos usados pelos bancos centrais para responder à inflação elevada é o aumento das taxas de juro, tornando provável o agravamento das prestações do crédito à habitação. Perante um cenário de estagflação, é uma boa altura para amortizar parte do empréstimo da casa ou para eliminar outros créditos, sobretudo os que têm um custo mais elevado.